Archive for junho \15\UTC 2010

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Casa Cinza

junho 15, 2010

Quando eu me calar…
tenha medo
Quando eu desistir…
eu já terei te dado todas as chances

Eu vou me abrigar
numa casa velha e cinza
que será menos opressiva
que a carne que a sua alma habita

E haverá terra e pedras lá
janelas quebradas
e portas tortas

Você teve a chance
mas não disse o que deveria
e agora já não importa mais

Eu vou subir e descer as suas escadas
até querer viver de novo
num ciclo…
noutro ciclo

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Platônico

junho 15, 2010

Os amores platônicos
necessitam de solidão
para se materializarem
em forma de algo impalpável

Ele não é qualquer um
é aquele com quem eu quero voar

Como pode alguém ter e não querer?

O amor precisa de valor
para ter valor

Mesmo que seja real e frágil
precisa de atenção
para ser platônico e se aproximar
da idealização platônica

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Susto II

junho 15, 2010

Quando eu estou aos pedaços
sinto um vazio enorme

E eu percebo num susto
daqueles de fechar os olhos
que este não é o caminho
que eu desejei para mim
nem para você

E isso me trava
Acho que não sinto mais nada bonito…
apenas esta sensação de susto incessante
que me gela o estômago
e me faz tremer

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A vida deveria ser mais fácil

junho 15, 2010

Meu coração
pulverizado
liquefeito
rarefeito
se defaz entre sonhos impossíveis

A vida deveria ser mais fácil
e o amor ser de conto de fadas
Amigos deveriam ser para frente
e os corações não deveriam
mudar de sentimentos
como quem troca de roupa

A vida deveria ser mais bonita
e os olhos deveriam ver apenas
o lado bom dos fatos

Deveríamos ter um coração seletivo
para escolher o melhor para nós
para não sofrermos tanto

A vida deveria ser mais fácil
As pessoas não deveriam amar

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Coração Cadáver

junho 15, 2010

Eu não estou morta nem seca
só não consigo mais chorar por nós

Aperto minha cabeça entre as mãos
e tapo os ouvidos para não te ouvir
Um nada que me afoga…

Meus olhos já não conseguem ver
a beleza nisso tudo

o que vivemos ficou para trás
enterrado…
em corações cadáveres

Eu já não espero mais nada
desse amor morto… fétido

Vou achar um novo amor
vou me amar
e viver o que resta para viver
ainda…

com meio coração cadáver

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Susto

junho 15, 2010

Eu leio versos
que não recordo ter escrito

E isso assusta

Seria o amigo álcool
ou me sopraram idéias vaporosas outra vez?

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Inimigo

junho 15, 2010

O tempo é um inimigo voraz
que te enrruga
te faz aprender e desistir dos sonhos

Ele é um sinal vermelho
piscando incessante
Um alarme mudo
que machuca os teus ouvidos

Quando você percebe ele se foi…
E te deixou amargurado com sua consciência
O tempo que não pode ser vivido
que passou…
que nem chegou…

Você se acotovela… se debate
e cai vencido…

Ele dobra os teus joelhos
E é mais poderoso que a própria vida
quem sabe até mais que Deus

Deve ser bom ser uma borboleta
que nasce feia e morre linda
rapidamente…
sem se questionar a cerca do seu tempo

É bom se ter cuidado
onde se coloca os pensamentos
É bom não pensar neste inimigo
silencioso e rastejante